As olimpíadas – Os jogos pela história da humanidade e da filosofia

Gostaria de aproveitar a ocasião, passadas as olimpíadas, para discutir um pouco o papel dos jogos na história da humanidade.

Um dos textos mais antigos da humanidade, o indiano Bhagavad Gita, contêm a história e o dilema de Arjuna ao ser confrontado por uma situação de guerra. O grande filósofo brasileiro Huberto Rohden assim escreveu sobre essa obra:

“…Também a palavra latina illusio (ilusão) é composto de in (dentro) e lusio, palavra derivada de ludere, que quer dizer jogar, brincar. De maneira que illusio significa o “jogo interno”, ou seja, a projeção imanente da realidade transcendente. Nesse sentido, escreveu salomão, cerca de mil anos antes de Cristo, no livro dos provérbios: “A sabedoria de Deus brinca (“ludit”) todos os dias sobre o orbe terráqueo (ludens in orbe terrarum)…”.

“…A natureza é, pois, maya e illusio, no sentido de “grande afirmação”, ou “jogo interno”, que são como que reflexos visíveis projetados no espelho bidimensional de tempo e espaço do mundo visível. Quando o homem, em estado de suprema cosmo-vidência, vê a realidade essencial para além de todas as facticidades existenciais, então tem ele uma visão para além dos espelhos e enigmas das facticidades; Então o homem vê face a face a própria realidade…”

Apesar de altamente filosófico, essa citação vale ser estudada e refletida. Ela nos ajuda a compreender como a noção do jogar ganha uma relevância muito maior do que o mero aspecto de entretenimento, comum aos nossos tempos.

Avançando um pouco no tempo, temos a famosa obra “Homo Ludens” de Johan Huizinga, composta em 1938. A Obra se encerra com várias passagens e conclusões, entre elas:

“…O espírito humano só é capaz de libertar-se do círculo mágico do jogo erguendo os olhos para o Supremo. A concepção lógica das coisas é incapaz de levá-lo muito longe. Quando o pensamento humano faz uma revisão de todos os tesouros do espírito e sente todo o esplendor de suas faculdades, mesmo assim sempre encontra, no fundo de todo julgamento sério, um resto problemático. No fundo de nossa consciência, sabemos que nenhum de nossos juízos é absolutamente decisivo…”

“…E nesse momento em que nosso julgamento começa a vacilar, juntamente com ele vacila também nossa convicção de que o mundo é uma coisa séria. Em vez do milenar tudo é vaidade, impõe-se-nos uma fórmula muito mais positiva, que tudo é jogo.

É claro que isso é uma metáfora barata, devida apenas à impotência do espírito humano; mas era a essa sabedoria que Platão havia chegado, no momento em que chamava aos homens o joguete dos deuses. O mesmo pensamento aparece também, por estranha fantasia, no Livro dos Provérbios, no qual a Sabedoria Eterna diz que antes de toda a criação ela brincava diante da face de Deus para diverti-lo, e que no mundo de seu reino terrestre ela encontrava seu divertimento na companhia das crianças humanas…”

Munidos e embasados da estatura intelectual destes pensadores e seus escritos, podemos então fazer algumas considerações sobre as olimpíadas.

As olimpíadas começaram na grécia antiga, na cidade de Olímpia. Durante a realização dos jogos, as nações que compunham a grécia não guerreavam entre si, trazendo um tempo de paz em homenagem a Zeus. As olimpíadas então fizeram os jogos cruzarem a fina linha entre o jogo e o esporte, em benefício do segundo.

Porém, como podemos ver, os jogos sempre estiveram associados com o divino, o transcendente, o imaterial e o espiritual. É interessante resgatar as origens dos jogos pela história e perceber o quanto eles se “materializaram”, no aspecto de terem perdido em sua maior parte a essência transcendente em detrimento de seu caráter material mundano.

 

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